Questões epistemológicas

Dos sentidos de História

A palavra história, no nosso idioma, comporta vários significados. Destaco três principais: uma narração meramente ficcional – e nesse sentido é quase sinônimo de contos (é o que em inglês se chama story); os acontecimentos do passado; e o ofício do historiador.

Justamente por essa multiplicidade de sentidos que a matéria inicial e pré-requisito para praticamente todo o curso de História na UnB se chamar Introdução ao Estudo da História. Não Estudos de Histórias ou Introdução à História (como alguém pode cursar uma introdução aos fatos do passado?). Uma das palavras, então, que pode ser usada para eliminar ambigüidades é historiografia, significando registro da história ou, mais precisamente, escrita da história. Historio + grafia.

Historiografia ou historiopoética?

Contudo, um historiador não é um historiografista. Não é meramente aquele que mantém um registro da história, entendida como o passado. Por questões de ordem lingüística e textual o ofício do historiador envolve criar um passado possível e verrossímil, afinal, ele é um sujeito escrevendo uma narrativa coesa e com significado compartilhado/social com bases em textos, sejam eles escritos ou sob qualquer outra forma de criação humana.

Só aí temos quatro instâncias que revelam o esforço criativo do historiador. Sua própria subjetividade histórico-socialmente localizável, as regras de transmissão textual de informação, o objetivo e público alvo de algo escrito sob o rótulo de História e, por fim, a própria natureza da produção humana que o historiador toma por fonte. Então,  podemos falar em produção/criação da História. Historio + poiesis.

Historiopoetas

Enquanto disciplina a História tem uma existência relativamente recente, mas enquanto categoria de narrativa sobre o mundo, ou seja, enquanto gênero de discurso (aquele sobre o passado), talvez seja curioso revisitar algumas representações mais antigas que envolvem o ofício do historiador.

Longe de uma análise dos usos pelos gregos do discurso sobre o passado, insinuam-se questões levantadas pela poesia de Homero, pela bênção sob a qual escrevia Heródoto, ou mesmo outros historiadores gregos. Afinal, sob a inspiração das Musas é que se faz história, não?

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