Hackeando novos olhares pela cidade

*Texto publicado originalmente no Jornadas de Agora em 19/04/14.

Há alguns dias fui apresentado a um jogo que desconhecia. Um jogo de realidade aumentada, como diz na sua autodescrição. Por estar relacionado com as empresas Google, e por utilizar a localização do GPS, fiquei um pouco ressabiado. Minha primeira reação foi de desconfiança. Mas é de curiosidade que morrem os felinos e eu, então resolvi experimentar.

O Jogo

A história de Ingress mobiliza elementos do imaginário dos teóricos da conspiração contemporâneos. Ao entrar no jogo somos apresentados Continuar lendo

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Animações Disney e o termômetro dos tempos

*Texto publicado originalmente aqui em 22/02/14.

Eu não sei quanto a vocês, mas o recente lançamento de Frozen, uma aventura congelante mobilizou emocionalmente várias jovens amigas minhas. Talvez por se tratar de adolescentes (ou pós-adolescentes) que cresceram embaladas por musicais do estúdio. De toda forma, algo nesse filme aconteceu que um pouco da magia nostálgica da infância delas foi revivida.

E elas não parecem estar sozinhas. Uma busca breve no Youtube revela infindáveis resultados com versões, interpretações e montagens envolvendo o mais novo filme da Disney. Algumas características do filme saltam aos olhos de quem o assiste Continuar lendo

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Entre Pijânios, Saias e Bermudas

*Texto publicado originalmente aqui em 09/02/2014.

As temperaturas estão aí, como habitualmente, batendo todos os recordes. Assim, os moradores das regiões mais quentes acabam criando seus artifícios para lidar com o calor. Ar condicionado, saias, tecidos leves, colarinho frouxo, garrafada de água no rosto, cada um desenvolve o seu conjunto particular de meios de sobrevivência.

A situação fica mais complicada para aqueles Continuar lendo

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Precisamos falar de Platão

Bom, gente. Esse é um texto que vem rondando o backstage da minha mente há algum tempo. Se for contar, acho que faz alguns anos. Ele insistia em urgir, mas nenhuma forma foi encontrada e, assim, ficou pra lá. Aqui, do lado do escritor, rola o dilema habitual de sempre: enterrar os talentos (como na parábola) ou oferecer o fígado para as águias (como na mitologia)? Cortando o melodrama e com decisão tomada, além das boas-intenções na mão: vamos ao que interessa.

EXPERIÊNCIA UNIVERSITÁRIA

Ser calouro em uma universidade como a UnB significa muitas coisas. O ambiente universitário é encarado geralmente num momento cedo da vida e se revela como um mundo novo, com regras próprias que precisam ser descobertas à sua maneira. Isso significa, na prática, que os calouros se metem em muita encrenca.

A encrenca pode ser encontrada em algum trote. Que tenha lá seus graus variados de violência e comunhão grupal, como sempre. Ou também pode ser encontrada em um batismo etílico. Que tenha lá seus diferentes graus de entrega para sentimentos de auto-aniquilação ou de vaidade.

Sorte ou azar, o meu caso foi diferente. Uma amiga muito próxima que entrou pouco antes de mim na universidade me ciceroneou pelos sete círculos da UnB. Isso me salvou de muitas curvas perigosas mas também me colocou em outras, como vamos ver. Continuar lendo

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Arquivado em filosofia, platão

O Historiador Artesão (to istorikós di̱miourgós)

O historiador, em seu trabalho, é como um artesão. Plasma e molda com suas mãos a substância do passado. Assim edifica prédios, praças e porões. As pessoas, em suas mentes, fazem dessas construções seus passeios habituais, suas casas e eventualmente suas prisões.

Historiadores conseguem criar fortes prisões. Sem grades, sem muros, essas prisões Continuar lendo

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Arquivado em história, imagens, na prática, parábolas

Questões epistemológicas

Dos sentidos de História

A palavra história, no nosso idioma, comporta vários significados. Destaco três principais: uma narração meramente ficcional – e nesse sentido é quase sinônimo de contos (é o que em inglês se chama story); os acontecimentos do passado; e o ofício do historiador.

Justamente por essa multiplicidade de sentidos que a matéria inicial e pré-requisito para praticamente todo o curso de História na UnB se chamar Introdução ao Estudo da História. Não Estudos de Histórias ou Introdução à História (como alguém pode cursar uma introdução aos fatos do passado?). Uma das palavras, então, que pode ser usada para eliminar ambigüidades é historiografia, significando registro da história ou, mais precisamente, escrita da história. Historio + grafia.

Historiografia ou historiopoética?

Contudo, um historiador não é um historiografista. Não é meramente aquele que mantém um registro da história, entendida como o passado. Por questões de ordem lingüística e textual o ofício do historiador envolve criar um passado possível e verrossímil, afinal, ele é um sujeito escrevendo uma narrativa coesa e com significado compartilhado/social com bases em textos, sejam eles escritos ou sob qualquer outra forma de criação humana.

Só aí temos quatro instâncias que revelam o esforço criativo do historiador. Sua própria subjetividade histórico-socialmente localizável, as regras de transmissão textual de informação, o objetivo e público alvo de algo escrito sob o rótulo de História e, por fim, a própria natureza da produção humana que o historiador toma por fonte. Então,  podemos falar em produção/criação da História. Historio + poiesis.

Historiopoetas

Enquanto disciplina a História tem uma existência relativamente recente, mas enquanto categoria de narrativa sobre o mundo, ou seja, enquanto gênero de discurso (aquele sobre o passado), talvez seja curioso revisitar algumas representações mais antigas que envolvem o ofício do historiador.

Longe de uma análise dos usos pelos gregos do discurso sobre o passado, insinuam-se questões levantadas pela poesia de Homero, pela bênção sob a qual escrevia Heródoto, ou mesmo outros historiadores gregos. Afinal, sob a inspiração das Musas é que se faz história, não?

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Arquivado em epistemologices, história

Ok, faz um tempão que eu não atualizo aqui, eu sei. Mas uma casualidade me trouxe de volta… revirando velharias encontrei uma pequena nota, que reproduzo literalmente logo abaixo. Pra variar, não faço idéia do que pode significar:

A meu ver o que salva Clio é sua Ironia. Sabemos da impossibilidade do trabalho do historiador, mas não deixamos de tentar. E quando tentamos, moldamos o mundo ao redor, não impondo nossa “verdade”, mas constituindo a verdade particular ao disponibilizarmos memes para serem apropriados.

Se alguém entender, me avisa!

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Arquivado em epistemologices